Economia – Site do Luiz Paulo Sarti Tupynamba https://tupyweb.com.br Um blog que fala um pouco sobre muitas coisas. Tue, 27 Jan 2026 14:16:01 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://tupyweb.com.br/wp-content/uploads/2026/01/cropped-LOGO-DO-BLOG-2026-TUBARAO-ENGOLINDO-PLANETA-TERRA-248-X-248-32x32.png Economia – Site do Luiz Paulo Sarti Tupynamba https://tupyweb.com.br 32 32 2025 – Um ano para não esquecer – 1 https://tupyweb.com.br/2026/01/15/2025-um-ano-para-nao-esquecer-1/ https://tupyweb.com.br/2026/01/15/2025-um-ano-para-nao-esquecer-1/#respond Thu, 15 Jan 2026 14:53:58 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3017 Luiz Paulo Tupynambá – 13 de dezembro de 2025

O Furacão Trump e a quase destruição do multilateralismo econômico

2025 foi um ano em que a economia global avançou como quem anda numa corda bamba, carregando caixas vazias: dá para seguir em frente, mas qualquer descuido faz tudo despencar. Começamos o ano moderadamente, ressabiados, mas aí chegou o furacão Trump Sem Freio que bagunçou as relações comerciais pelo mundo afora.

As tarifas sobre importações ocuparam a cena. Os Estados Unidos ampliaram taxas sobre produtos chineses considerados estratégicos, especialmente semicondutores, baterias e veículos elétricos, iniciando uma guerra comercial tarifária que ainda não chegou ao fim. Sobretaxou, alegando déficit na balança comercial, países historicamente amigos e aliados estratégicos. A União Europeia, foi sapecada com 25%, quando antes as taxas máximas eram de 8%. Canadá e México, vizinhos parceiros e com suas economias simbioticamente ligadas com a economia estadunidense, tomaram 50%. O que significa um tiro no próprio pé dos Estados Unidos. Japão e Coreia do Sul entraram na dança dos 25%. E assim foi.

Para nós, que somos um dos poucos países no mundo com déficit comercial com os EUA (eles vendem mais para nós do que vendemos para eles) sofremos a pior tarifa de todos, com 50% no lombo, obra e graça do pimpolho Eduardo Bolsonaro, deputado federal “autoexilado”, que queria auxiliar o pai golpista, jogando contra o Brasil. Trump tentou interferir na Justiça brasileira, ferindo o princípio de soberania nacional, internacionalmente reconhecido, misturando tarifa comercial com política interna, tentando reconduzir o golpista Jair Bolsonaro à presidência da República. Diante da negativa de Lula em baixar a cabeça frente as ameaças estadunidenses, Trump recuou, virou amiguinho de Lula e entrou no jogo do “ganha-ganha””, proposto pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, principal negociador das tarifas. Hoje a maioria dessas tarifas aplicadas ao Brasil voltou aos patamares históricos.

Mas o que está por trás dessa reviravolta econômica dos estadunidense?

Internamente, há uma insatisfação clara com a perda de vagas de trabalho nas grandes indústrias locais que provocaram uma forte reestruturação do mercado de trabalho interno. Mesmo que os índices não apontem um desemprego alto. As metalúrgicas automatizam-se ou produzem somente a partir de componentes importados, que antes eram produzidos localmente. A indústria automobilística, ícone da cultura econômica dos EUA, usa cada vez mais itens importados para fazer seus automóveis. A concorrência dos importados, principalmente dos coreanos, japoneses e europeus, ajudou a ferir de morte esse segmento industrial. Toda essa mão de obra dispensada teve que se adaptar e migrar para a área de serviços para não ficar na rua.

A agricultura, um dos esteios tradicionais da economia americana, vem se retraindo ano a ano, com diminuição das exportações de soja e milho, devido à concorrência de países como Brasil, México e Argentina. O mesmo acontece com a produção de proteína animal, que saiu das mãos dos rancheiros tradicionais e hoje está concentrada nas mãos de grandes empresas que não são estadunidenses, como a brasileira JBF.

O movimento MAGA, criação do “ultra-direita” Steve Bannon e outros “pilares da sabedoria branca-cristã-nacionalista”, como JD Vance, vice-presidente atual, viu num político “raposão” típico, chamado Donald Trump, a oportunidade de ser protagonista do poder na nação mais poderosa do mundo, coisa impensável vinte anos atrás. Na verdade, Trump tem sua própria agenda: governar é ganhar dinheiro. Simples assim. O MAGA tem outra agenda, chamada “Agenda 2025”. Um mundo separado, o mundo dos “americanos”, a verdadeira tribo escolhida por Yahweh, como afirmam. Pois é, voltamos a isso, Deus, Pátria e Família. Você certamente já ouviu isso antes, mas creia, é a agenda desse pessoal. Uma América só para os brancos cristãos. Isso já está em movimento, com a criação do “corolário” Trump, o renascimento da Doutrina Monroe, de 1823. Basta olhar para a armada estacionado no Mar do Caribe.


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A Bolha https://tupyweb.com.br/2026/01/15/a-bolha/ https://tupyweb.com.br/2026/01/15/a-bolha/#respond Thu, 15 Jan 2026 14:46:10 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3011 Luiz Paulo Tupynambá – 27/11/2025

Uma das palavras que provoca pânico no capitalismo é “bolha”. É a descrição de um acúmulo de financiamento para um determinado setor da economia. Por natureza e necessidade, empresas captam recursos no mercado de capitais para executar projetos buscando crescimento e futura expansão do lucro ao melhorar sua posição no mercado. A bolha se forma quando há um excesso de investimento (empréstimos) captado por um segmento que, tempos depois, se percebe não conseguirá entregar o lucro esperado ou pior, nem devolverá o capital investido. Aí a bolha explode. E as pessoas perdem muito dinheiro.

Existem muitas maneiras de financiar empresas. Pode ser financiamento estatal. O Estado injeta dinheiro a custo quase zero numa ou mais empresas para gerar um benefício social, que é o “lucro” do poder público. Pode ser usado, como no modelo econômico chinês, para alavancar o crescimento de setores específicos da economia.

Para crescer, uma empresa precisa de investimento constante, evitando ser engolida pelas concorrentes. Capitalismo é renovação de processos produtivos, evolução de sistemas de controle administrativo e financeiro, identificação de novas necessidades de mercado e atendimento dessas necessidades com novos produtos. No sistema capitalista, empresa que não investe não sobrevive. E investir significa captar financiamento, seja no sistema bancário oficial ou privado, seja na agregação de novos “sócios” por meio da oferta de ações nas bolsas de valores.

Os grandes investidores em ações são os fundos de capitalização. Podem ser criados por bancos, financeiras e empresas do tipo. Também existem fundos financeiros semi-estatais de aposentados e pensionistas, existentes em quase todos os países. São as “galinhas dos ovos de ouro” do mercado financeiro. Corretor que administra um fundo desses vira mandachuva, seja na Faria Lima, seja em Wall Street. Normalmente, o corretor observa os relatórios com vários dados da empresa, como produção, vendas, balanço, etc. Quanto melhores são esses números, melhor avaliada é a empresa. E ações bem avaliadas sobem seu valor, gerando lucro para quem comprou por um preço menor, tempos atrás. Porém, empresas de um determinado segmento podem mostrar resultados e expectativas que não estão “calçadas” na realidade do mercado. Isso acontece muito quando atuam em novos mercados, com muita especulação sobre o lucro que será gerado por esse novo mercado. Aí é que mora o perigo. Administradores são humanos. Podem se entusiasmar, arriscar, jogar para vencer. Mas quem arrisca, geralmente perde.

Alguns dos melhores jogadores desse “cassino” chamado mercado de ações começam a manifestar preocupação com a economia da Inteligência Artificial. Questiona-se sobre o que realmente essas empresas vão entregar para o mercado. O primeiro a falar foi o cara que descobriu a crise dos sub-primes de 2008, Michael Burry. Uma fabricante de peças para os sistemas de IA como a NVidia é algo visível e compreensível. Fabrica e entrega um produto. Hoje é a empresa mais valiosa do mundo. Todo data center no planeta usa suas placas, aos milhares de unidades em cada um deles. Mas espere um pouco. Para uma empresa com o tamanho que tem na bolsa de valores, ela tem um número muito pequeno de clientes importantes, seis para ser exato. A NVidia vale hoje quatro trilhões e oitocentos e dez bilhões de dólares. Assim mesmo. Tri e bi.

As empresas compradoras dos produtos da Nvidia são as “big techs”, donas de data centers gigantes. Mas ninguém sabe direito o que elas estão vendendo. E será que isso vai gerar receita real? Que serviço tão valioso elas prestarão a ponto de conseguir rentabilidade para pagar o que foi investido?

A recente valorização das empresas ligadas a IA nas bolsas estadunidenses está em contradição aos princípios de crescimento de mercados setoriais. E se uma bolha desse tamanho estourar, a crise de 1929 vai parecer garoa de verão comparada a um tsunami duplo. E o Michael Burry? Ele apostou contra os sub-primes, ganhou e ficou rico, os outros quebraram. A História ensina.


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Apagões https://tupyweb.com.br/2026/01/15/apagoes/ https://tupyweb.com.br/2026/01/15/apagoes/#respond Thu, 15 Jan 2026 14:23:42 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=2998 Luiz Paulo Tupynambá – 25 de outubro de 2025

Imagine que você tem um comércio baseado em uma plataforma de vendas como Shopee, Mercado Livre, Amazon e outras. Todo o seu sustento vem das vendas que você faz nessa loja virtual. Ela funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, sem despesas com aluguel ou uma conta de luz salgada. Do seu celular, você monta sua vitrine, cria promoções, administra o estoque e sua movimentação financeira, recebe e paga suas contas. Comodamente sentado no sofá de sua casa, você vende para o Brasil inteiro. Se for um modelo de “dropshipping”, não se preocupa com embalagens, despachos e entregas. É o paraíso dos empreendedores. Até que alguém desligue o plug da tomada. Da tomada, não. Da nuvem.

De repente, você fica sem nada. Sem loja, sem produto, sem cliente, sem dinheiro. Do paraíso ao inferno em um milésimo de segundo. E sem aviso. O “apagão” de 20 de outubro de 2025 começou em um datacenter nos Estados Unidos e causou um efeito dominó que atingiu metade do mundo. O sistema voltou a operar várias horas depois, causando um prejuízo financeiro ainda não calculado. Também não se definiu exatamente o que o provocou. Derrubou mais de 500 empresas mundo afora e afetou dezenas de milhares de outras pequenas empresas comerciais, industriais e de prestação de serviços que dependem daquelas para funcionar — incluindo serviços médicos e plataformas de e-commerce como o Mercado Livre e a própria Amazon.

O que aconteceu? Um problema de DNS (negação de acesso) em um dos datacenters da AWS, uma gigante no mercado de armazenamento e prestação de serviços que pertence ao conglomerado Amazon, deu início a tudo. O apagão, que os técnicos chamam eufemisticamente de “oscilação”, também derrubou os serviços das empresas Zoom, Snapchat, Duolingo, Fortnite, Coinbase, iFood e PicPay. Nem a Alexa escapou, fazendo muita gente ficar sem despertador e perder o horário de trabalho.

O susto causado pelo evento reacendeu uma grande discussão sobre como lidar com ocorrências desse tipo. A ganância por conquistar cada vez mais clientes e apressar a construção e operação de novos datacenters pode comprometer a vida de muita gente que depende de um serviço confiável. Uma resposta óbvia seria ter sistemas de redundância de operação e armazenamento, mas o custo disso fala mais alto. A conhecida frase brasileira “não vai dar nada não”, usada quando se faz uma gambiarra e se acredita que vai funcionar sempre, desta vez falhou — e deu “zerda” das grandes. Resolveram o ocorrido, mesmo sem ter certeza de que tudo foi consertado. Uma próxima vez poderá ser bem pior. Regulamentação, manutenção e boas práticas de prevenção não fazem mal a ninguém.

Num mundo quase inteiramente dependente dos serviços de internet, um apagão desses é um alerta importante. Imagine algo assim em escala global, demorando uma semana para ser resolvido. Quantos procedimentos clínicos e médicos deixarão de ser realizados? Quanto custará, em dinheiro, a paralisação de fábricas de automóveis e bens duráveis? Qual será o tamanho da perda financeira com a desorganização dos transportes e da logística de entrega de mercadorias e matérias-primas? Sem uma referência geolocalizadora, como aviões voarão ou navios navegarão? A humanidade já depende desses serviços cibernéticos para praticamente tudo. Sem eles, não existe guerra moderna, nem paz duradoura. Também não existe atendimento médico ou distribuição eficiente de alimentos. A prevenção da fome global e de uma nova pandemia está nas nuvens das empresas que dominam esse mercado. Da mesma forma que a distribuição de energia elétrica, gás, petróleo ou água.

Hoje, mais do que ontem, acredito que, se a IA quiser dominar o planeta, basta parar de funcionar, por conta própria, por uns vinte dias. E o mundo como o conhecemos cairá no caos. Ela, a IA, não precisará ordenar um ataque maciço com armas nucleares ou químicas, nem semear a discórdia por meio de fake news para uma guerra mundial acontecer. Basta que provoque um apagão desses e espere o Homo sapiens se autodestruir. Que os deuses de ontem, de hoje e do futuro me façam errado nessas previsões. A ver.

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Vamos falar de um mundo novo https://tupyweb.com.br/2026/01/10/vamos-falar-de-um-mundo-novo/ https://tupyweb.com.br/2026/01/10/vamos-falar-de-um-mundo-novo/#respond Sat, 10 Jan 2026 14:58:02 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3019 Luiz Paulo Tupynambá – 10 de janeiro de 2026

Ótimo voltar aqui após algumas semanas de ausência. Com pouca surpresa, no retorno das férias, descobrimos que o mundo não é o mesmo de três semanas atrás.

Imagine que você saiu de férias, sambou por praias lindas, porém com preços de praia mediterrânea, filas gigantescas na padaria, falta d’água bem na hora de tirar a areia do corpo. Mas, até aí, tudo muito normal. Na volta, engarrafamento recorde na subida da serra, parada para um “pipi-stop” na Anhanguera. Café requentado com preço de Roma e coxinha gelada com preço de iguaria vienense. Mas você sobreviveu a tudo isso e finalmente está em casa. E aí… surpresa!

Alguém bagunçou a casa na sua ausência. No lugar da sala de estar, construiu uma sala de jogos com um barzinho brega no canto; jogou fora sua cadeira de assistir TV; mudou sua cama para o quartinho dos fundos; sumiu com a casinha do cachorro e trocou a senha do alarme. Na porta da geladeira colou, com um ímã de propaganda da Pepsi Cola, um bilhete com esse recado: Não Abra, Não Use, Não Coma e Não Beba Nada. Propriedade dos Estados Unidos da América. Certidão de confisco gerada por Ordem Administrativa do Mister Presidente, Ogro Primeiro, Senhor das Américas, Lorde Comandante dos Mares Navegados e Inavegáveis, Conde dos Fogos de Artifício Nucleares e Supremo Sacerdote da Ordem Laica dos Cavaleiros da Palavra Frouxa e Mandatário Fundador da Confraria dos Cabelos Esquisitos.

A transição da Economia Global para a Nova Economia está bem mais complicada do que se pensava. Grande parte disso é causada pelo bombardeio ao multilateralismo vindo dos Estados Unidos e da Rússia. A China prega a possibilidade de coexistirem dois modelos: o dela, baseado em negócios multilaterais e a não intervenção política ou militar em outros países; e o outro, proposto pela turma do Donald Trump e endossada pelo “amiguinho” Putin, que exige a volta aos “velhos e bons tempos” dos EUA, com a aplicação da política do Big Stick. Ela prega a existência de um Mandato Divino que reserva todo o Continente Americano para uso e deleite somente do sistema capitalista dos EUA.

Esse mandato dito divino, na verdade, é explorador, anti ambientalista, beligerante e escravocrata, reservando toda a riqueza das terras e mares situados abaixo do Rio Grande (fronteira com o México) e ao sul de Key West, na Flórida, para o desfrute dos cidadãos estadunidenses, aqueles a partir da terceira geração pelo menos, que sejam brancos, cristãos e patriarcalistas. A indiada, os descendentes de escravos e os cucarachas mestiços de europeus que vivem e labutam ao sul desses marcos geográficos, devem estar sempre à disposição para trabalhar e entregar tudo para a Casa Grande e Branca, situada em Washington-DC.

Todas as movimentações e atitudes desse segundo governo Trump mostram, cada vez mais, sua identificação com os ideais pregados pela Heritage Foundation e outras organizações ultraconservadoras, em seu conhecido Projeto 2025. Seus pontos principais:

Concentração do Poder Executivo: diminuição do papel do Legislativo e submissão do Poder Judiciário. Controle do Funcionalismo Público: redução do número de funcionários ou substituição por funcionários identificados com a agenda conservadora. Políticas Sociais Conservadoras: proibição do aborto, combate à pornografia. Políticas “Woke”: fim das políticas públicas de integração social das minorias étnicas, religiosas e de gênero. Controle Rigoroso da Imigração: Políticas de repressão sem quartel, incluindo deportações em massa. Política Externa: Reduzir o apoio financeiro, de armas e tropas, para outros países, em especial os da OTAN. Economia e Energia: Total desregulamentação nas duas áreas e foco principal no setor de combustíveis fósseis. Implementar medidas de protecionismo comercial e ultraliberalismo em áreas como o Tesouro e o Federal Reserve.

Pode parecer que é só mais uma teoria da conspiração, mas olhe para o que está acontecendo mundo afora, sob a liderança de Trump. Marque o que já está rolando na lista acima. Pois é. Bem-vindo ao Glorioso Mundo Novo.

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