Geopolítica – Site do Luiz Paulo Sarti Tupynamba https://tupyweb.com.br Um blog que fala um pouco sobre muitas coisas. Tue, 27 Jan 2026 14:49:54 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://tupyweb.com.br/wp-content/uploads/2026/01/cropped-LOGO-DO-BLOG-2026-TUBARAO-ENGOLINDO-PLANETA-TERRA-248-X-248-32x32.png Geopolítica – Site do Luiz Paulo Sarti Tupynamba https://tupyweb.com.br 32 32 A Guerra Impossível – 1 https://tupyweb.com.br/2026/01/26/a-guerra-impossivel-1/ https://tupyweb.com.br/2026/01/26/a-guerra-impossivel-1/#respond Mon, 26 Jan 2026 18:18:32 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3171 Luiz Paulo Tupynambá

Já ouvimos conselhos de avós e pais do tipo “cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”. Significa que todos devemos ter muito cuidado diante de escolhas difíceis em momentos importantes da vida. Outro ditado clássico é “vira-lata não se mete em briga de cachorro grande”, um bom conselho para governantes e povos de países que tem capacidade militar limitada diante dos senhores da guerra do mundo. Muito se discute nas redes sociais sobre “quem ganha a guerra de quem” num confronto militar entre EUA e China. Na minha modesta opinião de vira-lata latino-americano, é muita saliva gasta à toa. Decisões sobre guerra e conflitos não passam pelo terreiro onde marrecos, perus, galinhas e outros bípedes grasnam e cacarejam opiniões descabidas. Esse tipo de decisão é tomada nos escritórios ou nos campos de golfe dos poderosos, onde os donos do “dinheiro real” se reúnem.

Antes de mais nada é preciso pelo menos atentar para algumas informações históricas e políticas de cada um desses países. É necessário também observar como suas forças armadas estão estruturadas, sua capacidade de intervenção e ocupação de territórios, capacidade de reestruturar e drenar os recursos do território conquistado. Sem ocupar o território inimigo, não tem guerra ganha. “Boots on the ground”, como dizem “los gringos”.

Uma comparação superficial entre as forças armadas da China e dos EUA, mostra claramente que a força militar chinesa está, pelo menos por enquanto, destinada à defesa do seu território. Não demonstra ter intenção de ataque e invasão em futuro próximo. Mesmo tendo alguns números maiores que os dos Estados Unidos, em termos de tropas terrestres e tanques, o posicionamento estratégico atual das forças na região e a composição dessas forças, demonstra com clareza a preocupação defensiva dos chineses e a disposição ofensiva dos estadunidenses. E claro, a força  nuclear do Tio Sam é muito maior que a do camarada Xi. Os chineses estão numa fase inicial da construção e aperfeiçoamento das tecnologias dos porta-aviões e das aeronaves furtivas. Já os estadunidenses têm isso desenvolvido e implantado há décadas.

Os Estados Unidos dominam os mares com suas várias Frotas Navais, são oito no total, incluindo uma Frota do Ciberespaço. São 470 navios de combate, com destróieres, submarinos nucleares e navios anfíbios, além de uma grande frota de porta-aviões nucleares. As frotas são disponibilizadas por regiões específicas ao redor do planeta, permitindo projeção de força globalmente, sempre com mísseis nucleares. O apoio às frotas conta com bases para reabastecimento que cobre todo o planeta. É a espinha dorsal do poder do seu império militar. Estima-se mais de 750 bases espalhadas pelos continentes. No Pacífico e no Índico, além do “colar” de bases que vão da Coreia do Sul até as Filipinas, que cerca a saída chinesa para o mar, existem bases conhecidas como “lilly pads”, pequenas bases “portáteis”, localizadas no Mar da China e nas Filipinas. Uma resposta à construção das “bases-ilha” pelos chineses na mesma região.

O poder da força ali é da Sétima Frota da marinha estadunidense. O número de marinheiros e fuzileiros navais designados chega a 27.000. Sua frota varia de 50 a 70 navios, entre os de combate e os de apoio logístico. Seu porta-aviões nuclear, ou navio líder da frota, pode ser o USS George Washington ou USS Abraham Lincoln, ambos da classe Nimitz, a mais poderosa já construída. Dotado de mais de 90 aeronaves, sendo 70 delas de combate. Inclui caças de ataque, bombardeiros leves e mísseis de alcance médio. Assim pode atingir alvos de Hong Kong ao Tibete. A frota de apoio tem submarinos e destróieres.

A frota chinesa na região não chega perto disso, mesmo com seus dois novos porta-aviões. Dizer que há equilíbrio militar na região é forçar a barra. A China está na fase “caldo de galinha” e não vai arriscar uma guerra que pode ser suicida. Já os Estados Unidos, quem pode adivinhar o que sai daquelas cabeças atrapalhadas e inconsequentes? Sei não, adivinhe quem quiser.


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De onde surgiu essa figura? https://tupyweb.com.br/2026/01/26/de-onde-surgiu-essa-figura/ https://tupyweb.com.br/2026/01/26/de-onde-surgiu-essa-figura/#respond Mon, 26 Jan 2026 18:09:19 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3168 Luiz Paulo Tupynambá

Quando a família tinha um filho ou neto “arteiro”, aquele que vivia bagunçando a vida dos adultos, quebrando as coisas em casa ou arrumando confusão com os vizinhos, dizia-se que “tinha curuquerê no fiofó”. Não tinha sossego para nada, era um tormento para todos. Outra “figura” familiar das antigas era a pessoa mais velha que “caducava”. Era alvo de pilhérias e grosserias de parentes. Hoje, isso é etarismo. A psicologia infantil avançou e desenvolveu métodos que possibilitam tratamento para adequação dessa criança ao convívio social. O mesmo aconteceu com os mais velhos, via diagnósticos acessíveis e tratamento médico-ambulatorial proporcionado pelo SUS, através das redes de atendimento municipais, estaduais e filantrópicas.

Nesses dias bicudos de desinformação e meias-verdades que, desembaladas, se revelam inteiras-falsidades, se você juntar a ideia do “moleque arteiro” com a de “velho caduco”, pode imaginar no que dá, não é? Isso mesmo: Donald Trump.

Ele cresceu num ambiente rico e branco em uma cidade cosmopolita, com cores, sentidos e linguagens diferentes, originados no mundo todo. A fechada elite econômica de Nova Iorque foi o ambiente em que se alimentou e respirou. Não consta que, um dia, gostou de negros, imigrantes europeus de baixa formação ou latinos. Nova Iorque, nos anos 60 e 70, era uma confusão completa, com economia baseada nas comunidades judaicas e WASP, que dominavam a indústria, o comércio e o sistema financeiro. As outras comunidades, como os italianos, poloneses e irlandeses, ficavam com os pequenos comércios e prestação de serviços, como táxi, coleta de lixo, entretenimento, polícia e serviço público. Era uma cidade dividida. Havia os bairros italianos, os bairros negros, os bairros latinos e os de comunidades menores. Tinha outra divisão, subterrânea: o crime organizado.

Em meados da década de 60 os EUA estavam à beira de um colapso da sua organização civil. A publicação do “Civil Rights Act of 1964” (Ato de Direitos Civis de 1964) deixava em pé de igualdade os direitos civis antes negados às minorias raciais estadunidenses. A militância, principalmente ligada a comunidade negra, foi para as ruas da cidade exigir o cumprimento do novo Ato. As manifestações gigantes contra a Guerra no Vietnã eram diárias. Porém, o fim dela, despejou milhares de jovens veteranos sem rumo ou dinheiro na cidade. Sem empregos na fora dos sindicatos dominados pela Máfia, esses jovens formaram gangues violentas para traficar drogas. No início e meados da década de 70, esta era a capital mundial da produção de pornografia. O Times Square com a Broadway, onde hoje é comemorado o Réveillon, era um gigantesco parque de diversões sexuais. Eram centenas de prédios residenciais e comerciais abandonados e a cidade era um retrato do caos. Fugindo disso tudo, os endinheirados foram para subúrbios de luxo. Em 1975, com a diminuição da arrecadação de impostos, a cidade estava falindo, o que só foi evitado com empréstimos estaduais e demissões em massa de funcionários.

A recuperação começou com uma “aliança” dos empresários de construção civil, que viram uma grande oportunidade no início da década de 80. A superação da crise do petróleo e o fim da Guerra do Vietnã, trouxeram alívio nas pressões sociais. Esse grupo de empresários, onde um dos mais influentes era o pai de Donald Trump, associou-se a classe política tradicional para criar um plano de recuperação de Manhattan. Com a diminuição da influência da Cosa Nostra, pelo enfraquecimento das Cinco Famílias com a ação do grupo de trabalho do promotor Rudy Giuliani (aquele mesmo que foi advogado de Trump), em menos de uma década jã não existia mais a indústria pornográfica. A venda de drogas desabou. Nova Iorque hoje é essa que faz o Réveillon famoso no mesmo lugar onde, décadas atrás, os “pimps” (cafetões”) desfilavam em carrões conversíveis, vestindo roupas exageradas.

Nesse ambiente cresceu o atual presidente dos EUA. Mas falta um pedaço da história da formação de Donald Trump. Sua formação como empresário e político. Conto isso na próxima semana.


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2025 – Um ano para não esquecer – 1 https://tupyweb.com.br/2026/01/15/2025-um-ano-para-nao-esquecer-1/ https://tupyweb.com.br/2026/01/15/2025-um-ano-para-nao-esquecer-1/#respond Thu, 15 Jan 2026 14:53:58 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3017 Luiz Paulo Tupynambá – 13 de dezembro de 2025

O Furacão Trump e a quase destruição do multilateralismo econômico

2025 foi um ano em que a economia global avançou como quem anda numa corda bamba, carregando caixas vazias: dá para seguir em frente, mas qualquer descuido faz tudo despencar. Começamos o ano moderadamente, ressabiados, mas aí chegou o furacão Trump Sem Freio que bagunçou as relações comerciais pelo mundo afora.

As tarifas sobre importações ocuparam a cena. Os Estados Unidos ampliaram taxas sobre produtos chineses considerados estratégicos, especialmente semicondutores, baterias e veículos elétricos, iniciando uma guerra comercial tarifária que ainda não chegou ao fim. Sobretaxou, alegando déficit na balança comercial, países historicamente amigos e aliados estratégicos. A União Europeia, foi sapecada com 25%, quando antes as taxas máximas eram de 8%. Canadá e México, vizinhos parceiros e com suas economias simbioticamente ligadas com a economia estadunidense, tomaram 50%. O que significa um tiro no próprio pé dos Estados Unidos. Japão e Coreia do Sul entraram na dança dos 25%. E assim foi.

Para nós, que somos um dos poucos países no mundo com déficit comercial com os EUA (eles vendem mais para nós do que vendemos para eles) sofremos a pior tarifa de todos, com 50% no lombo, obra e graça do pimpolho Eduardo Bolsonaro, deputado federal “autoexilado”, que queria auxiliar o pai golpista, jogando contra o Brasil. Trump tentou interferir na Justiça brasileira, ferindo o princípio de soberania nacional, internacionalmente reconhecido, misturando tarifa comercial com política interna, tentando reconduzir o golpista Jair Bolsonaro à presidência da República. Diante da negativa de Lula em baixar a cabeça frente as ameaças estadunidenses, Trump recuou, virou amiguinho de Lula e entrou no jogo do “ganha-ganha””, proposto pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, principal negociador das tarifas. Hoje a maioria dessas tarifas aplicadas ao Brasil voltou aos patamares históricos.

Mas o que está por trás dessa reviravolta econômica dos estadunidense?

Internamente, há uma insatisfação clara com a perda de vagas de trabalho nas grandes indústrias locais que provocaram uma forte reestruturação do mercado de trabalho interno. Mesmo que os índices não apontem um desemprego alto. As metalúrgicas automatizam-se ou produzem somente a partir de componentes importados, que antes eram produzidos localmente. A indústria automobilística, ícone da cultura econômica dos EUA, usa cada vez mais itens importados para fazer seus automóveis. A concorrência dos importados, principalmente dos coreanos, japoneses e europeus, ajudou a ferir de morte esse segmento industrial. Toda essa mão de obra dispensada teve que se adaptar e migrar para a área de serviços para não ficar na rua.

A agricultura, um dos esteios tradicionais da economia americana, vem se retraindo ano a ano, com diminuição das exportações de soja e milho, devido à concorrência de países como Brasil, México e Argentina. O mesmo acontece com a produção de proteína animal, que saiu das mãos dos rancheiros tradicionais e hoje está concentrada nas mãos de grandes empresas que não são estadunidenses, como a brasileira JBF.

O movimento MAGA, criação do “ultra-direita” Steve Bannon e outros “pilares da sabedoria branca-cristã-nacionalista”, como JD Vance, vice-presidente atual, viu num político “raposão” típico, chamado Donald Trump, a oportunidade de ser protagonista do poder na nação mais poderosa do mundo, coisa impensável vinte anos atrás. Na verdade, Trump tem sua própria agenda: governar é ganhar dinheiro. Simples assim. O MAGA tem outra agenda, chamada “Agenda 2025”. Um mundo separado, o mundo dos “americanos”, a verdadeira tribo escolhida por Yahweh, como afirmam. Pois é, voltamos a isso, Deus, Pátria e Família. Você certamente já ouviu isso antes, mas creia, é a agenda desse pessoal. Uma América só para os brancos cristãos. Isso já está em movimento, com a criação do “corolário” Trump, o renascimento da Doutrina Monroe, de 1823. Basta olhar para a armada estacionado no Mar do Caribe.


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2025 – Um ano para não esquecer – Geopolítica  https://tupyweb.com.br/2026/01/15/2025-um-ano-para-nao-esquecer-geopolitica/ https://tupyweb.com.br/2026/01/15/2025-um-ano-para-nao-esquecer-geopolitica/#respond Thu, 15 Jan 2026 14:51:36 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3015 Luiz Paulo Tupynambá – 20 de dezembro de 2025

Naquela que se chamou de “Crise dos Mísseis de Cuba”, acontecida em outubro de 1962, uma frota de combate estadunidense bloqueou a pequena ilha caribenha de Cuba, que após uma revolta popular liderada por Fidel Castro, converteu-se na primeira nação socialista do hemisfério ocidental e declaradamente apoiada pela URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) a associação de nações diversas do Leste Europeu e norte da Ásia, como era conhecida a Rússia na época. A URSS tentou instalar bases de lançamento de mísseis em território cubano, coisa inadmissível para os EUA e impedir a chegada de barcos soviéticos aos portos da ilha caribenha se tornou estratégico para eles. Por muito pouco não aconteceu uma Terceira Guerra Mundial, que seria catastrófica para todos.

Este fato, que marcou o endurecimento da chamada “Guerra Fria” e a aceleração da corrida armamentista, acrescentou milhares de ogivas aos arsenais nucleares dos dois países. Desenvolveram-se lançadores de bombas termo-nucleares de alcance mundial, os chamados ICBMs, tecnologia que auxiliou a conquista do espaço próximo. Chegamos então ao ponto de Destruição Mútua Garantida, ou seja, a guerra começa, os dois lados lançam suas bombas nucleares e todos são destruídos. Ninguém vence, todos perdem. Hoje cochilamos docemente num colchão forrado com trinta mil bombas nucleares armadas e prontas para serem lançadas e detonadas. Para a nossa “segurança”, é claro.

Em Cuba, naquele final de 1962, enfim o bom senso tomou conta da sala e as coisas esfriaram. Um acordo foi negociado por Robert Kennedy, secretário de estado dos EUA e Nikita Kruschev, secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética.  Os estadunidenses desistiram da instalação de mísseis nucleares que haviam iniciado na Turquia e os soviéticos desistiram de instalar os seus em Cuba. O bloqueio a Cuba nunca foi suspenso e os EUA sufocam lentamente a Revolução Cubana pelo bloqueio econômico.

Porém, essa crise trouxe de volta a ideia da Doutrina Monroe, criada em 1823 pelo então presidente estadunidense James Monroe, que diz “A América inteira, de norte a sul (do Alasca a Patagônia) é dos americanos e deve ser protegida da invasão de nações de outros continentes. Sempre sob a guarda e liderança dos Estados Unidos da América. Isso segundo ele, e recentemente corroborado por Donald Trump.

Se você olhar um mapa mundial, verá que as Américas tem duas “muralhas” quase inexpugnáveis, em termos de defesa estratégica: a leste, o Oceano Atlântico e a oeste, o Oceano Pacífico. Para quem tem a maior força de guerra já criada pela humanidade, isso é uma vantagem espetacular. Quando se fala em guerra entre nações de continentes diferentes, quem domina os mares sairá vencedor. A guerra só está ganha com o ganho de território inimigo, confisco de seus ativos minerais e energéticos, domínio sobre sua logística interna e tomada de sua capacidade de produzir alimentos.

Trump anunciou a volta à Doutrina Monroe. De agora em diante, os EUA se preocupam prioritariamente com o que acontece e que os ameaça aqui nas Américas.  Reduziram o apoio à OTAN, braço militar da Aliança Ocidental. Quer que os europeus “se virem” para resolver os seus eternos problemas nacionalistas e ideológicos. Para a turma do MAGA, com a qual Trump concorda, não compensa injetar mais dinheiro num conflito sem fim. Hoje é a Ucrânia, amanhã será a Polônia, depois os Bálcãs novamente. Um conflito seriado e infindável. Para a turma do Steve Bannon, isso não é problema dos americanos.

Os EUA já fazem um bloqueio severo no Mar do Caribe, alegando combater o tráfico de drogas da Venezuela. Nem boi dormindo acredita nisso. Trump e sua turma estão de olho (grande) é no petróleo de lá. Mas, não só na costa venezuelana. Também estão de olho no óleo na Colômbia e, adivinha, na foz do Rio Amazonas, em águas territoriais brasileiras. Afinal, todo mundo quer veículo elétrico e Inteligência Artificial Geral Irrestrita. Alguém tem que pensar como produziremos toda a energia elétrica gasta com isso nas próximas décadas, né mesmo? E o petróleo é ótimo para isso.

Bom Natal e Feliz Ano Novo para todos!


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O consumo de energia pela Inteligência Artificial no futuro – 2 https://tupyweb.com.br/2026/01/15/o-consumo-de-energia-pela-inteligencia-artificial-no-futuro-2/ https://tupyweb.com.br/2026/01/15/o-consumo-de-energia-pela-inteligencia-artificial-no-futuro-2/#respond Thu, 15 Jan 2026 14:39:28 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3005 Luiz Paulo Tupynambá – 22 de novembro de 2025

No início desta semana, o presidente dos Estados Unidos liberou um empréstimo de um bilhão de dólares para a Constellation Energy Corp. Parece uma operação de financiamento comum na indústria energética. Mas tem uma história toda por trás disso. O empréstimo foi feito para a reativação de uma unidade da usina nuclear de Three Mile Island. Como garantia, a Energy apresentou um contrato de fornecimento exclusivo de energia elétrica para um dos data centers da Microsoft naquela região. Essa unidade de fissão nuclear usa reatores de urânio para aquecer água, criar vapor e movimentar turbinas, gerando eletricidade. Foi paralisada em 1979, quando um acidente no reator número 2 causou um vazamento grave, o que obrigou a usina a ser fechada.

Curiosamente, um filme chamado “Síndrome da China”, havia sido lançado algumas semanas antes do acidente na usina, no estado da Pensilvânia. Era quase uma premonição do que aconteceu na realidade. Indicado a quatro Oscars, tem atuações memoráveis de Jack Lemmon, Jane Fonda e Michael Douglas. O nome do filme refere à possibilidade de um reator nuclear “vazar”, gerando um incêndio que perfuraria o planeta de um lado a outro e explodindo, lançando uma nuvem radioativa sobre uma grande área limítrofe. Foi considerado o acidente nuclear mais grave acontecido no hemisfério ocidental. Sua gravidade ficou logo atrás de Chernobyl (Ucrânia-URSS) em 1986 e de Fukushima-Daiichi (Japão) em 2011. Numa escala de zero a dez de perigo para a população, Chernobyl e Fukushima atingiram o nível 7 (acidente grave), com vazamento de material radioativo, mortes diretas e grande contaminação ambiental. Nos EUA, atingiu o nível 5, sem mortes ou feridos diretamente, mas com comprometimento por vazamento de gases e vapores radioativos. Desde 1979, Three Mile Island estava proibida de funcionar, mas a necessidade de gerar energia elétrica para abastecer os “buracos negros” da Inteligência Artificial começa a cobrar seu preço. Lá como cá: meses atrás a JBF, para entrar no mercado de energia elétrica, adquiriu um dos reatores da Usina de Angra dos Reis.

No mundo todo, movimentos em direção ao “renascimento” da energia nuclear vem tomando proporções mais sérias. Não que tenha acontecido uma grande melhora na segurança das usinas com reator nuclear. A manipulação humana teve problemas evidentes em Chernobyl e Three Mile Island. O que houve foi um aumento na adoção de sistemas de controle automatizados, ainda com supervisão humana qualificada.

A China, a grande poluidora mundial, vem fazendo um esforço gigantesco para substituir o carvão como fonte principal de geração de energia, por fontes renováveis. Porém o lado ocidental se mostra cada vez menos propenso a adotar medidas restritivas à queima de combustíveis fósseis. Petróleo e gás natural voltaram a ser a opção mais viável para a velocidade exigida pelo crescimento da IA. Geradores gigantes e mini termo-elétricas movidas a GNL ou diesel são realidade nos novos data centers que vem sendo instalados nos EUA. Já a energia nuclear, considerada fora do baralho depois da tragédia em Chernobyl, mostra claramente que vai voltar.

Talvez uma boa parte da logística mundial use substitutos renováveis para os combustíveis usados no transporte de cargas e pessoas. Mas isso não resolverá o problema dos gases de efeito estufa. A demanda por energia para abastecer a Economia da IA vai superar, e muito, a economia que faremos na logística.

Toda mudança de ciclo econômico exige uma nova fonte ou combinação de energias. Com vapor e petróleo criamos a revolução industrial como a conhecemos e domesticamos a energia elétrica. Mas qual será a energia ou a combinação que irá tocar a Revolução da Nova Economia? Para mim, parece clara a opção ocidental de manter a coisa como está e aumentar o uso da energia nuclear. Para gozo e delírio dos príncipes, dos donos das fortunas inesgotáveis e dos ditadores de plantão. Não importa a COP, tenha o número que for.

Na Netflix tem uma boa série documental sobre o assunto: “Meltdown – Reação Nuclear”.

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Vamos falar de um mundo novo https://tupyweb.com.br/2026/01/10/vamos-falar-de-um-mundo-novo/ https://tupyweb.com.br/2026/01/10/vamos-falar-de-um-mundo-novo/#respond Sat, 10 Jan 2026 14:58:02 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3019 Luiz Paulo Tupynambá – 10 de janeiro de 2026

Ótimo voltar aqui após algumas semanas de ausência. Com pouca surpresa, no retorno das férias, descobrimos que o mundo não é o mesmo de três semanas atrás.

Imagine que você saiu de férias, sambou por praias lindas, porém com preços de praia mediterrânea, filas gigantescas na padaria, falta d’água bem na hora de tirar a areia do corpo. Mas, até aí, tudo muito normal. Na volta, engarrafamento recorde na subida da serra, parada para um “pipi-stop” na Anhanguera. Café requentado com preço de Roma e coxinha gelada com preço de iguaria vienense. Mas você sobreviveu a tudo isso e finalmente está em casa. E aí… surpresa!

Alguém bagunçou a casa na sua ausência. No lugar da sala de estar, construiu uma sala de jogos com um barzinho brega no canto; jogou fora sua cadeira de assistir TV; mudou sua cama para o quartinho dos fundos; sumiu com a casinha do cachorro e trocou a senha do alarme. Na porta da geladeira colou, com um ímã de propaganda da Pepsi Cola, um bilhete com esse recado: Não Abra, Não Use, Não Coma e Não Beba Nada. Propriedade dos Estados Unidos da América. Certidão de confisco gerada por Ordem Administrativa do Mister Presidente, Ogro Primeiro, Senhor das Américas, Lorde Comandante dos Mares Navegados e Inavegáveis, Conde dos Fogos de Artifício Nucleares e Supremo Sacerdote da Ordem Laica dos Cavaleiros da Palavra Frouxa e Mandatário Fundador da Confraria dos Cabelos Esquisitos.

A transição da Economia Global para a Nova Economia está bem mais complicada do que se pensava. Grande parte disso é causada pelo bombardeio ao multilateralismo vindo dos Estados Unidos e da Rússia. A China prega a possibilidade de coexistirem dois modelos: o dela, baseado em negócios multilaterais e a não intervenção política ou militar em outros países; e o outro, proposto pela turma do Donald Trump e endossada pelo “amiguinho” Putin, que exige a volta aos “velhos e bons tempos” dos EUA, com a aplicação da política do Big Stick. Ela prega a existência de um Mandato Divino que reserva todo o Continente Americano para uso e deleite somente do sistema capitalista dos EUA.

Esse mandato dito divino, na verdade, é explorador, anti ambientalista, beligerante e escravocrata, reservando toda a riqueza das terras e mares situados abaixo do Rio Grande (fronteira com o México) e ao sul de Key West, na Flórida, para o desfrute dos cidadãos estadunidenses, aqueles a partir da terceira geração pelo menos, que sejam brancos, cristãos e patriarcalistas. A indiada, os descendentes de escravos e os cucarachas mestiços de europeus que vivem e labutam ao sul desses marcos geográficos, devem estar sempre à disposição para trabalhar e entregar tudo para a Casa Grande e Branca, situada em Washington-DC.

Todas as movimentações e atitudes desse segundo governo Trump mostram, cada vez mais, sua identificação com os ideais pregados pela Heritage Foundation e outras organizações ultraconservadoras, em seu conhecido Projeto 2025. Seus pontos principais:

Concentração do Poder Executivo: diminuição do papel do Legislativo e submissão do Poder Judiciário. Controle do Funcionalismo Público: redução do número de funcionários ou substituição por funcionários identificados com a agenda conservadora. Políticas Sociais Conservadoras: proibição do aborto, combate à pornografia. Políticas “Woke”: fim das políticas públicas de integração social das minorias étnicas, religiosas e de gênero. Controle Rigoroso da Imigração: Políticas de repressão sem quartel, incluindo deportações em massa. Política Externa: Reduzir o apoio financeiro, de armas e tropas, para outros países, em especial os da OTAN. Economia e Energia: Total desregulamentação nas duas áreas e foco principal no setor de combustíveis fósseis. Implementar medidas de protecionismo comercial e ultraliberalismo em áreas como o Tesouro e o Federal Reserve.

Pode parecer que é só mais uma teoria da conspiração, mas olhe para o que está acontecendo mundo afora, sob a liderança de Trump. Marque o que já está rolando na lista acima. Pois é. Bem-vindo ao Glorioso Mundo Novo.

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