Site do Luiz Paulo Sarti Tupynamba https://tupyweb.com.br Um blog que fala um pouco sobre muitas coisas. Tue, 27 Jan 2026 14:49:54 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://tupyweb.com.br/wp-content/uploads/2026/01/cropped-LOGO-DO-BLOG-2026-TUBARAO-ENGOLINDO-PLANETA-TERRA-248-X-248-32x32.png Site do Luiz Paulo Sarti Tupynamba https://tupyweb.com.br 32 32 A Guerra Impossível – 1 https://tupyweb.com.br/2026/01/26/a-guerra-impossivel-1/ https://tupyweb.com.br/2026/01/26/a-guerra-impossivel-1/#respond Mon, 26 Jan 2026 18:18:32 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3171 Luiz Paulo Tupynambá

Já ouvimos conselhos de avós e pais do tipo “cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”. Significa que todos devemos ter muito cuidado diante de escolhas difíceis em momentos importantes da vida. Outro ditado clássico é “vira-lata não se mete em briga de cachorro grande”, um bom conselho para governantes e povos de países que tem capacidade militar limitada diante dos senhores da guerra do mundo. Muito se discute nas redes sociais sobre “quem ganha a guerra de quem” num confronto militar entre EUA e China. Na minha modesta opinião de vira-lata latino-americano, é muita saliva gasta à toa. Decisões sobre guerra e conflitos não passam pelo terreiro onde marrecos, perus, galinhas e outros bípedes grasnam e cacarejam opiniões descabidas. Esse tipo de decisão é tomada nos escritórios ou nos campos de golfe dos poderosos, onde os donos do “dinheiro real” se reúnem.

Antes de mais nada é preciso pelo menos atentar para algumas informações históricas e políticas de cada um desses países. É necessário também observar como suas forças armadas estão estruturadas, sua capacidade de intervenção e ocupação de territórios, capacidade de reestruturar e drenar os recursos do território conquistado. Sem ocupar o território inimigo, não tem guerra ganha. “Boots on the ground”, como dizem “los gringos”.

Uma comparação superficial entre as forças armadas da China e dos EUA, mostra claramente que a força militar chinesa está, pelo menos por enquanto, destinada à defesa do seu território. Não demonstra ter intenção de ataque e invasão em futuro próximo. Mesmo tendo alguns números maiores que os dos Estados Unidos, em termos de tropas terrestres e tanques, o posicionamento estratégico atual das forças na região e a composição dessas forças, demonstra com clareza a preocupação defensiva dos chineses e a disposição ofensiva dos estadunidenses. E claro, a força  nuclear do Tio Sam é muito maior que a do camarada Xi. Os chineses estão numa fase inicial da construção e aperfeiçoamento das tecnologias dos porta-aviões e das aeronaves furtivas. Já os estadunidenses têm isso desenvolvido e implantado há décadas.

Os Estados Unidos dominam os mares com suas várias Frotas Navais, são oito no total, incluindo uma Frota do Ciberespaço. São 470 navios de combate, com destróieres, submarinos nucleares e navios anfíbios, além de uma grande frota de porta-aviões nucleares. As frotas são disponibilizadas por regiões específicas ao redor do planeta, permitindo projeção de força globalmente, sempre com mísseis nucleares. O apoio às frotas conta com bases para reabastecimento que cobre todo o planeta. É a espinha dorsal do poder do seu império militar. Estima-se mais de 750 bases espalhadas pelos continentes. No Pacífico e no Índico, além do “colar” de bases que vão da Coreia do Sul até as Filipinas, que cerca a saída chinesa para o mar, existem bases conhecidas como “lilly pads”, pequenas bases “portáteis”, localizadas no Mar da China e nas Filipinas. Uma resposta à construção das “bases-ilha” pelos chineses na mesma região.

O poder da força ali é da Sétima Frota da marinha estadunidense. O número de marinheiros e fuzileiros navais designados chega a 27.000. Sua frota varia de 50 a 70 navios, entre os de combate e os de apoio logístico. Seu porta-aviões nuclear, ou navio líder da frota, pode ser o USS George Washington ou USS Abraham Lincoln, ambos da classe Nimitz, a mais poderosa já construída. Dotado de mais de 90 aeronaves, sendo 70 delas de combate. Inclui caças de ataque, bombardeiros leves e mísseis de alcance médio. Assim pode atingir alvos de Hong Kong ao Tibete. A frota de apoio tem submarinos e destróieres.

A frota chinesa na região não chega perto disso, mesmo com seus dois novos porta-aviões. Dizer que há equilíbrio militar na região é forçar a barra. A China está na fase “caldo de galinha” e não vai arriscar uma guerra que pode ser suicida. Já os Estados Unidos, quem pode adivinhar o que sai daquelas cabeças atrapalhadas e inconsequentes? Sei não, adivinhe quem quiser.


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De onde surgiu essa figura? https://tupyweb.com.br/2026/01/26/de-onde-surgiu-essa-figura/ https://tupyweb.com.br/2026/01/26/de-onde-surgiu-essa-figura/#respond Mon, 26 Jan 2026 18:09:19 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3168 Luiz Paulo Tupynambá

Quando a família tinha um filho ou neto “arteiro”, aquele que vivia bagunçando a vida dos adultos, quebrando as coisas em casa ou arrumando confusão com os vizinhos, dizia-se que “tinha curuquerê no fiofó”. Não tinha sossego para nada, era um tormento para todos. Outra “figura” familiar das antigas era a pessoa mais velha que “caducava”. Era alvo de pilhérias e grosserias de parentes. Hoje, isso é etarismo. A psicologia infantil avançou e desenvolveu métodos que possibilitam tratamento para adequação dessa criança ao convívio social. O mesmo aconteceu com os mais velhos, via diagnósticos acessíveis e tratamento médico-ambulatorial proporcionado pelo SUS, através das redes de atendimento municipais, estaduais e filantrópicas.

Nesses dias bicudos de desinformação e meias-verdades que, desembaladas, se revelam inteiras-falsidades, se você juntar a ideia do “moleque arteiro” com a de “velho caduco”, pode imaginar no que dá, não é? Isso mesmo: Donald Trump.

Ele cresceu num ambiente rico e branco em uma cidade cosmopolita, com cores, sentidos e linguagens diferentes, originados no mundo todo. A fechada elite econômica de Nova Iorque foi o ambiente em que se alimentou e respirou. Não consta que, um dia, gostou de negros, imigrantes europeus de baixa formação ou latinos. Nova Iorque, nos anos 60 e 70, era uma confusão completa, com economia baseada nas comunidades judaicas e WASP, que dominavam a indústria, o comércio e o sistema financeiro. As outras comunidades, como os italianos, poloneses e irlandeses, ficavam com os pequenos comércios e prestação de serviços, como táxi, coleta de lixo, entretenimento, polícia e serviço público. Era uma cidade dividida. Havia os bairros italianos, os bairros negros, os bairros latinos e os de comunidades menores. Tinha outra divisão, subterrânea: o crime organizado.

Em meados da década de 60 os EUA estavam à beira de um colapso da sua organização civil. A publicação do “Civil Rights Act of 1964” (Ato de Direitos Civis de 1964) deixava em pé de igualdade os direitos civis antes negados às minorias raciais estadunidenses. A militância, principalmente ligada a comunidade negra, foi para as ruas da cidade exigir o cumprimento do novo Ato. As manifestações gigantes contra a Guerra no Vietnã eram diárias. Porém, o fim dela, despejou milhares de jovens veteranos sem rumo ou dinheiro na cidade. Sem empregos na fora dos sindicatos dominados pela Máfia, esses jovens formaram gangues violentas para traficar drogas. No início e meados da década de 70, esta era a capital mundial da produção de pornografia. O Times Square com a Broadway, onde hoje é comemorado o Réveillon, era um gigantesco parque de diversões sexuais. Eram centenas de prédios residenciais e comerciais abandonados e a cidade era um retrato do caos. Fugindo disso tudo, os endinheirados foram para subúrbios de luxo. Em 1975, com a diminuição da arrecadação de impostos, a cidade estava falindo, o que só foi evitado com empréstimos estaduais e demissões em massa de funcionários.

A recuperação começou com uma “aliança” dos empresários de construção civil, que viram uma grande oportunidade no início da década de 80. A superação da crise do petróleo e o fim da Guerra do Vietnã, trouxeram alívio nas pressões sociais. Esse grupo de empresários, onde um dos mais influentes era o pai de Donald Trump, associou-se a classe política tradicional para criar um plano de recuperação de Manhattan. Com a diminuição da influência da Cosa Nostra, pelo enfraquecimento das Cinco Famílias com a ação do grupo de trabalho do promotor Rudy Giuliani (aquele mesmo que foi advogado de Trump), em menos de uma década jã não existia mais a indústria pornográfica. A venda de drogas desabou. Nova Iorque hoje é essa que faz o Réveillon famoso no mesmo lugar onde, décadas atrás, os “pimps” (cafetões”) desfilavam em carrões conversíveis, vestindo roupas exageradas.

Nesse ambiente cresceu o atual presidente dos EUA. Mas falta um pedaço da história da formação de Donald Trump. Sua formação como empresário e político. Conto isso na próxima semana.


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2025 – Um ano para não esquecer – 1 https://tupyweb.com.br/2026/01/15/2025-um-ano-para-nao-esquecer-1/ https://tupyweb.com.br/2026/01/15/2025-um-ano-para-nao-esquecer-1/#respond Thu, 15 Jan 2026 14:53:58 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3017 Luiz Paulo Tupynambá – 13 de dezembro de 2025

O Furacão Trump e a quase destruição do multilateralismo econômico

2025 foi um ano em que a economia global avançou como quem anda numa corda bamba, carregando caixas vazias: dá para seguir em frente, mas qualquer descuido faz tudo despencar. Começamos o ano moderadamente, ressabiados, mas aí chegou o furacão Trump Sem Freio que bagunçou as relações comerciais pelo mundo afora.

As tarifas sobre importações ocuparam a cena. Os Estados Unidos ampliaram taxas sobre produtos chineses considerados estratégicos, especialmente semicondutores, baterias e veículos elétricos, iniciando uma guerra comercial tarifária que ainda não chegou ao fim. Sobretaxou, alegando déficit na balança comercial, países historicamente amigos e aliados estratégicos. A União Europeia, foi sapecada com 25%, quando antes as taxas máximas eram de 8%. Canadá e México, vizinhos parceiros e com suas economias simbioticamente ligadas com a economia estadunidense, tomaram 50%. O que significa um tiro no próprio pé dos Estados Unidos. Japão e Coreia do Sul entraram na dança dos 25%. E assim foi.

Para nós, que somos um dos poucos países no mundo com déficit comercial com os EUA (eles vendem mais para nós do que vendemos para eles) sofremos a pior tarifa de todos, com 50% no lombo, obra e graça do pimpolho Eduardo Bolsonaro, deputado federal “autoexilado”, que queria auxiliar o pai golpista, jogando contra o Brasil. Trump tentou interferir na Justiça brasileira, ferindo o princípio de soberania nacional, internacionalmente reconhecido, misturando tarifa comercial com política interna, tentando reconduzir o golpista Jair Bolsonaro à presidência da República. Diante da negativa de Lula em baixar a cabeça frente as ameaças estadunidenses, Trump recuou, virou amiguinho de Lula e entrou no jogo do “ganha-ganha””, proposto pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, principal negociador das tarifas. Hoje a maioria dessas tarifas aplicadas ao Brasil voltou aos patamares históricos.

Mas o que está por trás dessa reviravolta econômica dos estadunidense?

Internamente, há uma insatisfação clara com a perda de vagas de trabalho nas grandes indústrias locais que provocaram uma forte reestruturação do mercado de trabalho interno. Mesmo que os índices não apontem um desemprego alto. As metalúrgicas automatizam-se ou produzem somente a partir de componentes importados, que antes eram produzidos localmente. A indústria automobilística, ícone da cultura econômica dos EUA, usa cada vez mais itens importados para fazer seus automóveis. A concorrência dos importados, principalmente dos coreanos, japoneses e europeus, ajudou a ferir de morte esse segmento industrial. Toda essa mão de obra dispensada teve que se adaptar e migrar para a área de serviços para não ficar na rua.

A agricultura, um dos esteios tradicionais da economia americana, vem se retraindo ano a ano, com diminuição das exportações de soja e milho, devido à concorrência de países como Brasil, México e Argentina. O mesmo acontece com a produção de proteína animal, que saiu das mãos dos rancheiros tradicionais e hoje está concentrada nas mãos de grandes empresas que não são estadunidenses, como a brasileira JBF.

O movimento MAGA, criação do “ultra-direita” Steve Bannon e outros “pilares da sabedoria branca-cristã-nacionalista”, como JD Vance, vice-presidente atual, viu num político “raposão” típico, chamado Donald Trump, a oportunidade de ser protagonista do poder na nação mais poderosa do mundo, coisa impensável vinte anos atrás. Na verdade, Trump tem sua própria agenda: governar é ganhar dinheiro. Simples assim. O MAGA tem outra agenda, chamada “Agenda 2025”. Um mundo separado, o mundo dos “americanos”, a verdadeira tribo escolhida por Yahweh, como afirmam. Pois é, voltamos a isso, Deus, Pátria e Família. Você certamente já ouviu isso antes, mas creia, é a agenda desse pessoal. Uma América só para os brancos cristãos. Isso já está em movimento, com a criação do “corolário” Trump, o renascimento da Doutrina Monroe, de 1823. Basta olhar para a armada estacionado no Mar do Caribe.


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2025 – Um ano para não esquecer – Geopolítica  https://tupyweb.com.br/2026/01/15/2025-um-ano-para-nao-esquecer-geopolitica/ https://tupyweb.com.br/2026/01/15/2025-um-ano-para-nao-esquecer-geopolitica/#respond Thu, 15 Jan 2026 14:51:36 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3015 Luiz Paulo Tupynambá – 20 de dezembro de 2025

Naquela que se chamou de “Crise dos Mísseis de Cuba”, acontecida em outubro de 1962, uma frota de combate estadunidense bloqueou a pequena ilha caribenha de Cuba, que após uma revolta popular liderada por Fidel Castro, converteu-se na primeira nação socialista do hemisfério ocidental e declaradamente apoiada pela URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) a associação de nações diversas do Leste Europeu e norte da Ásia, como era conhecida a Rússia na época. A URSS tentou instalar bases de lançamento de mísseis em território cubano, coisa inadmissível para os EUA e impedir a chegada de barcos soviéticos aos portos da ilha caribenha se tornou estratégico para eles. Por muito pouco não aconteceu uma Terceira Guerra Mundial, que seria catastrófica para todos.

Este fato, que marcou o endurecimento da chamada “Guerra Fria” e a aceleração da corrida armamentista, acrescentou milhares de ogivas aos arsenais nucleares dos dois países. Desenvolveram-se lançadores de bombas termo-nucleares de alcance mundial, os chamados ICBMs, tecnologia que auxiliou a conquista do espaço próximo. Chegamos então ao ponto de Destruição Mútua Garantida, ou seja, a guerra começa, os dois lados lançam suas bombas nucleares e todos são destruídos. Ninguém vence, todos perdem. Hoje cochilamos docemente num colchão forrado com trinta mil bombas nucleares armadas e prontas para serem lançadas e detonadas. Para a nossa “segurança”, é claro.

Em Cuba, naquele final de 1962, enfim o bom senso tomou conta da sala e as coisas esfriaram. Um acordo foi negociado por Robert Kennedy, secretário de estado dos EUA e Nikita Kruschev, secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética.  Os estadunidenses desistiram da instalação de mísseis nucleares que haviam iniciado na Turquia e os soviéticos desistiram de instalar os seus em Cuba. O bloqueio a Cuba nunca foi suspenso e os EUA sufocam lentamente a Revolução Cubana pelo bloqueio econômico.

Porém, essa crise trouxe de volta a ideia da Doutrina Monroe, criada em 1823 pelo então presidente estadunidense James Monroe, que diz “A América inteira, de norte a sul (do Alasca a Patagônia) é dos americanos e deve ser protegida da invasão de nações de outros continentes. Sempre sob a guarda e liderança dos Estados Unidos da América. Isso segundo ele, e recentemente corroborado por Donald Trump.

Se você olhar um mapa mundial, verá que as Américas tem duas “muralhas” quase inexpugnáveis, em termos de defesa estratégica: a leste, o Oceano Atlântico e a oeste, o Oceano Pacífico. Para quem tem a maior força de guerra já criada pela humanidade, isso é uma vantagem espetacular. Quando se fala em guerra entre nações de continentes diferentes, quem domina os mares sairá vencedor. A guerra só está ganha com o ganho de território inimigo, confisco de seus ativos minerais e energéticos, domínio sobre sua logística interna e tomada de sua capacidade de produzir alimentos.

Trump anunciou a volta à Doutrina Monroe. De agora em diante, os EUA se preocupam prioritariamente com o que acontece e que os ameaça aqui nas Américas.  Reduziram o apoio à OTAN, braço militar da Aliança Ocidental. Quer que os europeus “se virem” para resolver os seus eternos problemas nacionalistas e ideológicos. Para a turma do MAGA, com a qual Trump concorda, não compensa injetar mais dinheiro num conflito sem fim. Hoje é a Ucrânia, amanhã será a Polônia, depois os Bálcãs novamente. Um conflito seriado e infindável. Para a turma do Steve Bannon, isso não é problema dos americanos.

Os EUA já fazem um bloqueio severo no Mar do Caribe, alegando combater o tráfico de drogas da Venezuela. Nem boi dormindo acredita nisso. Trump e sua turma estão de olho (grande) é no petróleo de lá. Mas, não só na costa venezuelana. Também estão de olho no óleo na Colômbia e, adivinha, na foz do Rio Amazonas, em águas territoriais brasileiras. Afinal, todo mundo quer veículo elétrico e Inteligência Artificial Geral Irrestrita. Alguém tem que pensar como produziremos toda a energia elétrica gasta com isso nas próximas décadas, né mesmo? E o petróleo é ótimo para isso.

Bom Natal e Feliz Ano Novo para todos!


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Paradoxos políticos e incongruências lógicas https://tupyweb.com.br/2026/01/15/paradoxos-politicos-e-incongruencias-logicas/ https://tupyweb.com.br/2026/01/15/paradoxos-politicos-e-incongruencias-logicas/#respond Thu, 15 Jan 2026 14:48:19 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3013 Luiz Paulo Tupynambá – 6 de dezembro de 2025

Poetas, doidos e profetas da linha filosófica 51 com Brahma conhecem as lendas que serão contadas no futuro. Uma delas diz que a humanidade já tinha alcançado desenvolvimento tecnológico para fazer grandes viagens para planetas distantes. Como nossa espécie, diz o ditado mineirês raiz, tem curuquerê no fiofó e não sossega em lugar nenhum desse mundo de Deus, decidiu colonizar um planeta em outro sistema solar. Coisa, que apesar de demorada e financeiramente custosa, traria a felicidade geral e tanta riqueza que sobraria até para os arcanjos e querubins aposentados. E ainda pingaria uns caraminguás para uns pobres diabos desassistidos, apesar da oposição da bancada evangélica.

Com grande pompa, a maior nave já construída pela humanidade partiu, levando mais de cem pessoas escolhidas a dedo, em seus dispositivos criogênicos. Eles dormiriam por cem anos até chegar ao seu objetivo final. E assim aconteceu.

Nave pousada, criogenia desligada, o povo todo acordou, abriu-se a porta da nave e todos desembarcaram. Embasbacaram-se com a beleza natural do planeta, suas cascatas de água limpa, a temperatura agradável e o ar mais puro que jamais tinham respirado. Após uma pequena cerimônia para fincar a bandeira da Terra e um singelo brinde com água pura de um riacho ali perto, dedicaram-se aos afazeres programados. Mas, o sossego durou pouco.

Dezenas de pessoas surgiram voando em vôo rápido e rasante, usando trajes especiais que desconheciam. Elas cercaram os surpresos viajantes, encarando-os belicosamente através dos seus capacetes transparentes. Um deles, grande e forte, muito parecido com qualquer chinês grande e forte da Terra, gritou: “Quem são vocês? O que querem aqui? De onde vocês vêm?”.

O comandante só conseguiu compreender o que tinha acontecido após muito conversar com aquelas pessoas que já estavam no planeta. Eram de uma segunda missão, lançada cinquenta anos depois da sua e que chegou vinte anos antes dele no planeta. Centenas de crianças já tinham nascido ali e viviam felizes na nova colônia humana.

Nessa altura pedi uma pausa para o meu colega de mesa, um dos mestres nessas coisas de filosofice 51 com Brahma, mas da vertente whisky com gelo. Eu já não estava acompanhando a estória. Ele me olhou com a condescendência que os poetas olham para um redator de bulas farmacêuticas que quer contestar os poemas de Neruda. E com a paciência que só os doidos têm para explicar esse mundo inexplicável em que vivemos, me ensinou:

“Caboclinho, esse é um caso típico do Paradoxo de Comunicação, que existe na Teoria dos Jogos. Veja bem: o objetivo era chegar num planeta distante com uma missão de colonização, certo? – concordei com um gesto – a primeira missão, baseada na tecnologia disponível na sua época, foi lançada e levou cem anos para chegar no planeta. Por algum motivo, durante a viagem perdeu a comunicação com a Terra. Após certo tempo, na Terra, concluíram que a missão tinha falhado e a tripulação toda tinha morrido. Nesse ponto já tinham se passado quarenta e cinco anos. Cinco anos depois disso, já com uma tecnologia muito mais avançada, foi enviada uma segunda missão para substituir a primeira. A segunda levou trinta anos para chegar ao planeta. – fiz cara de pateta – Vou facilitar para você. A primeira missão é lançada em 2100, então chegaria no planeta em 2200. Em 2045, ela foi dada como perdida. Em 2050 a segunda missão foi lançada. Mas a humanidade já tinha então uma tecnologia cinquenta anos mais avançada do que na época da primeira, o que permitiu que a segunda missão chegasse ao destino em trinta anos. Assim, a segunda missão chegou lá em 2080, vinte anos antes da chegada da primeira. Simples assim.” – ele  voltou sua atenção para o garçom que lhe servia mais uma “cascavel”, que era como ele chamava o whisky on the rocks.

Não entendeu? Olhe ao seu redor para esse planeta que é uma amostra viva das incongruências lógicas de convivência civilizada provocadas pelos nossos paradoxos de comunicação.

Em homenagem aos meus amigos eternos, Vanderlei Gazón, o Canarinho e Paulo “Moreira” Camargo, artista plástico, companheiros de muitas divagações por futuras lendas e saberes que estão no porvir.


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A Bolha https://tupyweb.com.br/2026/01/15/a-bolha/ https://tupyweb.com.br/2026/01/15/a-bolha/#respond Thu, 15 Jan 2026 14:46:10 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3011 Luiz Paulo Tupynambá – 27/11/2025

Uma das palavras que provoca pânico no capitalismo é “bolha”. É a descrição de um acúmulo de financiamento para um determinado setor da economia. Por natureza e necessidade, empresas captam recursos no mercado de capitais para executar projetos buscando crescimento e futura expansão do lucro ao melhorar sua posição no mercado. A bolha se forma quando há um excesso de investimento (empréstimos) captado por um segmento que, tempos depois, se percebe não conseguirá entregar o lucro esperado ou pior, nem devolverá o capital investido. Aí a bolha explode. E as pessoas perdem muito dinheiro.

Existem muitas maneiras de financiar empresas. Pode ser financiamento estatal. O Estado injeta dinheiro a custo quase zero numa ou mais empresas para gerar um benefício social, que é o “lucro” do poder público. Pode ser usado, como no modelo econômico chinês, para alavancar o crescimento de setores específicos da economia.

Para crescer, uma empresa precisa de investimento constante, evitando ser engolida pelas concorrentes. Capitalismo é renovação de processos produtivos, evolução de sistemas de controle administrativo e financeiro, identificação de novas necessidades de mercado e atendimento dessas necessidades com novos produtos. No sistema capitalista, empresa que não investe não sobrevive. E investir significa captar financiamento, seja no sistema bancário oficial ou privado, seja na agregação de novos “sócios” por meio da oferta de ações nas bolsas de valores.

Os grandes investidores em ações são os fundos de capitalização. Podem ser criados por bancos, financeiras e empresas do tipo. Também existem fundos financeiros semi-estatais de aposentados e pensionistas, existentes em quase todos os países. São as “galinhas dos ovos de ouro” do mercado financeiro. Corretor que administra um fundo desses vira mandachuva, seja na Faria Lima, seja em Wall Street. Normalmente, o corretor observa os relatórios com vários dados da empresa, como produção, vendas, balanço, etc. Quanto melhores são esses números, melhor avaliada é a empresa. E ações bem avaliadas sobem seu valor, gerando lucro para quem comprou por um preço menor, tempos atrás. Porém, empresas de um determinado segmento podem mostrar resultados e expectativas que não estão “calçadas” na realidade do mercado. Isso acontece muito quando atuam em novos mercados, com muita especulação sobre o lucro que será gerado por esse novo mercado. Aí é que mora o perigo. Administradores são humanos. Podem se entusiasmar, arriscar, jogar para vencer. Mas quem arrisca, geralmente perde.

Alguns dos melhores jogadores desse “cassino” chamado mercado de ações começam a manifestar preocupação com a economia da Inteligência Artificial. Questiona-se sobre o que realmente essas empresas vão entregar para o mercado. O primeiro a falar foi o cara que descobriu a crise dos sub-primes de 2008, Michael Burry. Uma fabricante de peças para os sistemas de IA como a NVidia é algo visível e compreensível. Fabrica e entrega um produto. Hoje é a empresa mais valiosa do mundo. Todo data center no planeta usa suas placas, aos milhares de unidades em cada um deles. Mas espere um pouco. Para uma empresa com o tamanho que tem na bolsa de valores, ela tem um número muito pequeno de clientes importantes, seis para ser exato. A NVidia vale hoje quatro trilhões e oitocentos e dez bilhões de dólares. Assim mesmo. Tri e bi.

As empresas compradoras dos produtos da Nvidia são as “big techs”, donas de data centers gigantes. Mas ninguém sabe direito o que elas estão vendendo. E será que isso vai gerar receita real? Que serviço tão valioso elas prestarão a ponto de conseguir rentabilidade para pagar o que foi investido?

A recente valorização das empresas ligadas a IA nas bolsas estadunidenses está em contradição aos princípios de crescimento de mercados setoriais. E se uma bolha desse tamanho estourar, a crise de 1929 vai parecer garoa de verão comparada a um tsunami duplo. E o Michael Burry? Ele apostou contra os sub-primes, ganhou e ficou rico, os outros quebraram. A História ensina.


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O consumo de energia pela Inteligência Artificial no futuro – 1 https://tupyweb.com.br/2026/01/15/o-consumo-de-energia-pela-inteligencia-artificial-no-futuro-1/ https://tupyweb.com.br/2026/01/15/o-consumo-de-energia-pela-inteligencia-artificial-no-futuro-1/#respond Thu, 15 Jan 2026 14:42:55 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3008 Luiz Paulo Tupynambá – 15 de novembro de 2025

Quando você faz uma consulta no Google, inicia um processo que demanda um certo consumo de energia. É um consumo ínfimo a ser considerado na sua conta de energia. Porém, se somarmos os oito bilhões e meio de consultas diárias feitas no Google, veremos que as consultas são bem relevantes na demanda de energia elétrica no mundo todo.

Tudo o que é processado na Internet passa pelos data centers. “Estima-se que os data centers consumam cerca de 415 terawatts-hora (TWh) por ano, representando cerca de 1,5% do consumo global de eletricidade em 2024. Previsões indicam que esse consumo pode dobrar até 2026 devido ao crescimento da inteligência artificial e da demanda por dados” (consulta ChatGPT).

Em tempos de COP 30, é bom transformar esse tipo de dados para a chamada “pegada de carbono”, a régua usada por ambientalistas e cientistas ao calcular o impacto de uma atividade sobre o meio ambiente. A pegada de carbono total da infraestrutura de internet (incluindo dispositivos, redes e data centers) foi estimada em cerca de 3,7% das emissões globais de GEE (gases de efeito estufa) em 2018, e esse valor tem aumentado. Um único e-mail sem anexo gera cerca de 4 gramas de CO₂, enquanto atividades de maior consumo de dados, como streaming de vídeo, têm impactos proporcionalmente maiores.

Imagine qual seria o consumo mundial de combustíveis se só existissem carros populares. E se todo mundo tivesse um Fórmula 1 para usar no dia-a-dia? Em vez de um Citroën C3 1.0  todos tivessem um McLaren, igualzinho ao do Lando Norris na garagem? Pensa no impacto disso no consumo mundial de combustíveis.  E na emissão dos GEE. É nessa proporção o impacto no consumo de energia elétrica com a chegada dos super data centers da Inteligência Artificial. A melhor estimativa é que, por volta de 2030, a demanda de energia pela IA multiplicará o consumo atual por dez. Mas já existem estudos que dobram essa estimativa.

A OpenAI é a maior empresa dedicada à Inteligência Artificial no mundo todo. Criadora do ChatGPT e de várias IAs dedicadas a tarefas e objetivos específicos. Ela não está no mercado de ações. É uma empresa de capital constituído por sócios, com mais ou menos quotas. Tornou-se relevante no mercado no final de 2022, quando revelou o ChatGPT. Seu CEO é Sam Altman, grande estrela em ascensão na Nova Economia.

Altman é conhecido no mercado por sua ousadia. Recentemente fechou acordos com as duas concorrentes do mercado de placas gráficas, imprescindíveis para o funcionamento das IAs. Juntou numa mesma sociedade, a NVidia, ainda a maior empresa do mundo e a concorrente AMD, que está um pouco abaixo na hierarquia dos tubarões da IA. De quebra, acrescentou na sua poção mágica a Microsoft, também sócia da OpenAI e a Oracle, gigante dos datacenters de armazenamento de dados.

Dessa mistura nasceu o Projeto Stargate, uma rede de data centers, no mundo todo, com investimentos estimados entre 300 e 500 bilhões de dólares. Para você ter uma ideia da voracidade por energia desse “megassauro” das IAs, estima-se o consumo de 7 gigawatts anuais de energia, somente com os primeiros data centers nos Estados Unidos. É metade da produção anual de Itaipu. É mais do que um terço do consumo de todo o Estado de São Paulo registrado em 2023. Para consumir toda essa energia, será necessário produzi-la. Some ao Stargate os data centers em construção pertencentes a outras big techs, que podem gerar uma demanda igual ou maior e dá para você imaginar a dimensão da encrenca ambiental que isso provocará. E a solução mais óbvia para as pessoas do ramo é a queima de combustível fóssil, como o Gás Natural Liquefeito. Mas que, no fim das contas, gera mais Gases de Efeito Estufa do que o mais poluente dos poluentes, o carvão.

Começou a entender o porquê da turma do Vale do Silício virar amiguinha da turma do fura poço de petróleo, do Trump e companhia? E a correria para ver quem chega primeiro no petróleo do Caribe, com o maior porta-aviões do mundo ameaçando o “Império do Mal(duro)”? Mas, você já sabe quem vai pagar essa conta e quem vai lucrar, né?

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O consumo de energia pela Inteligência Artificial no futuro – 2 https://tupyweb.com.br/2026/01/15/o-consumo-de-energia-pela-inteligencia-artificial-no-futuro-2/ https://tupyweb.com.br/2026/01/15/o-consumo-de-energia-pela-inteligencia-artificial-no-futuro-2/#respond Thu, 15 Jan 2026 14:39:28 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3005 Luiz Paulo Tupynambá – 22 de novembro de 2025

No início desta semana, o presidente dos Estados Unidos liberou um empréstimo de um bilhão de dólares para a Constellation Energy Corp. Parece uma operação de financiamento comum na indústria energética. Mas tem uma história toda por trás disso. O empréstimo foi feito para a reativação de uma unidade da usina nuclear de Three Mile Island. Como garantia, a Energy apresentou um contrato de fornecimento exclusivo de energia elétrica para um dos data centers da Microsoft naquela região. Essa unidade de fissão nuclear usa reatores de urânio para aquecer água, criar vapor e movimentar turbinas, gerando eletricidade. Foi paralisada em 1979, quando um acidente no reator número 2 causou um vazamento grave, o que obrigou a usina a ser fechada.

Curiosamente, um filme chamado “Síndrome da China”, havia sido lançado algumas semanas antes do acidente na usina, no estado da Pensilvânia. Era quase uma premonição do que aconteceu na realidade. Indicado a quatro Oscars, tem atuações memoráveis de Jack Lemmon, Jane Fonda e Michael Douglas. O nome do filme refere à possibilidade de um reator nuclear “vazar”, gerando um incêndio que perfuraria o planeta de um lado a outro e explodindo, lançando uma nuvem radioativa sobre uma grande área limítrofe. Foi considerado o acidente nuclear mais grave acontecido no hemisfério ocidental. Sua gravidade ficou logo atrás de Chernobyl (Ucrânia-URSS) em 1986 e de Fukushima-Daiichi (Japão) em 2011. Numa escala de zero a dez de perigo para a população, Chernobyl e Fukushima atingiram o nível 7 (acidente grave), com vazamento de material radioativo, mortes diretas e grande contaminação ambiental. Nos EUA, atingiu o nível 5, sem mortes ou feridos diretamente, mas com comprometimento por vazamento de gases e vapores radioativos. Desde 1979, Three Mile Island estava proibida de funcionar, mas a necessidade de gerar energia elétrica para abastecer os “buracos negros” da Inteligência Artificial começa a cobrar seu preço. Lá como cá: meses atrás a JBF, para entrar no mercado de energia elétrica, adquiriu um dos reatores da Usina de Angra dos Reis.

No mundo todo, movimentos em direção ao “renascimento” da energia nuclear vem tomando proporções mais sérias. Não que tenha acontecido uma grande melhora na segurança das usinas com reator nuclear. A manipulação humana teve problemas evidentes em Chernobyl e Three Mile Island. O que houve foi um aumento na adoção de sistemas de controle automatizados, ainda com supervisão humana qualificada.

A China, a grande poluidora mundial, vem fazendo um esforço gigantesco para substituir o carvão como fonte principal de geração de energia, por fontes renováveis. Porém o lado ocidental se mostra cada vez menos propenso a adotar medidas restritivas à queima de combustíveis fósseis. Petróleo e gás natural voltaram a ser a opção mais viável para a velocidade exigida pelo crescimento da IA. Geradores gigantes e mini termo-elétricas movidas a GNL ou diesel são realidade nos novos data centers que vem sendo instalados nos EUA. Já a energia nuclear, considerada fora do baralho depois da tragédia em Chernobyl, mostra claramente que vai voltar.

Talvez uma boa parte da logística mundial use substitutos renováveis para os combustíveis usados no transporte de cargas e pessoas. Mas isso não resolverá o problema dos gases de efeito estufa. A demanda por energia para abastecer a Economia da IA vai superar, e muito, a economia que faremos na logística.

Toda mudança de ciclo econômico exige uma nova fonte ou combinação de energias. Com vapor e petróleo criamos a revolução industrial como a conhecemos e domesticamos a energia elétrica. Mas qual será a energia ou a combinação que irá tocar a Revolução da Nova Economia? Para mim, parece clara a opção ocidental de manter a coisa como está e aumentar o uso da energia nuclear. Para gozo e delírio dos príncipes, dos donos das fortunas inesgotáveis e dos ditadores de plantão. Não importa a COP, tenha o número que for.

Na Netflix tem uma boa série documental sobre o assunto: “Meltdown – Reação Nuclear”.

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COP 30 – Será que faremos o suficiente? https://tupyweb.com.br/2026/01/15/cop-30-sera-que-faremos-o-suficiente/ https://tupyweb.com.br/2026/01/15/cop-30-sera-que-faremos-o-suficiente/#respond Thu, 15 Jan 2026 14:30:41 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3002 Luiz Paulo Tupynambá – 7 de novembro de 2025

Em 1972, sob o patrocínio da ONU, foi realizado em Estocolmo o primeiro encontro mundial para discutir a relação da nossa civilização com o meio ambiente e a nossa responsabilidade em manter o planeta habitável e ecologicamente equilibrado. Somente vinte anos depois, tivemos uma sequência dessa primeira reunião, então realizada no Rio de Janeiro, a Rio 92. De lá para cá, com mais ou menos boa vontade dos nossos governantes de plantão, o Brasil se tornou a principal liderança do movimento para a preservação do planeta. Muito por termos em nosso território, sob nossa guarda constitucional, a maior floresta contínua, a maior biodiversidade e a maior bacia hidrográfica do planeta. Além disso, temos uma área agricultável capaz de produzir alimentos variados, o que poderia abastecer quase toda a humanidade. É nossa vocação, mais do que obrigação, preservar este espaço, pois vivemos, sim, num país tropical, abençoado por Deus e lindo por natureza, como o definiu Jorge Benjor.

O presidente Lula propôs, em seu discurso na abertura da cúpula dos estados da COP 30, a criação de um fundo de investimento para financiar a preservação das florestas perenes e dos povos que nelas vivem. Também seriam beneficiados os investidores e fazendeiros dos países participantes, como prêmio por trabalhos de conservação e melhoria de suas propriedades. Portanto, trata-se de uma abordagem nova para o financiamento da preservação ambiental. Em vez de doações a fundo perdido, países e investidores do mundo todo poderão participar desse fundo, conseguindo lucro com seus resultados. No início, o fundo proposto por Lula atenderia às massas florestais conhecidas como “rainforests”, existentes no norte da América do Sul (Amazônia), na África Central (Bacia do Rio Congo) e a floresta da Sondalandia ou Bornéu (Ásia, Indonésia, Malásia e Brunei).

É o objetivo da COP 30, conseguir dinheiro para atingir os objetivos fixados nas COPs anteriores. Isso num mundo onde recursos estão sendo drenados para guerras inesperadas, como a da Ucrânia. Nela foram gastos bilhões de euros e dólares em armamentos. Outro tanto foi destinado para o aumento de gastos com defesa das nações europeias assustadas com a possibilidade da expansão do conflito.

Porém, mesmo tendo assumido compromissos anteriores, os países industrializados tem encontrado mil desculpas para não cumpri-los. Alguns alegam falta de dinheiro ou outros, como os Estados Unidos, por simples atitude ideológica. Isso apesar dos sinais alarmantes das mudanças climáticas. Todos os países do mundo, com mais ou menos intensidade, tem passado dissabores e eventos dramáticos por conta do aumento da temperatura global. Negar isso é negar a existência de um futuro para todos. E não estou dizendo se é um futuro ruim ou bom. Estou dizendo que não teremos futuro.

Agora vai ser definido quem vai pagar ou financiar tudo o que foi planejado. Redução das emissões globais de gases estufa, mitigação de problemas ambientais, financiamento de populações prejudicadas por eventos climáticos, acesso à água potável, destinação de dejetos prejudiciais, urbanos, industriais e agrícolas, preservação de ecossistemas, financiamento especial e incentivos para atividades econômicas eco sustentáveis das populações nativas e compensação financeira para a captura de carbono, entre muitos outros que foram levantados e que são prioridades. Também será definido como serão captados esses recursos, inclusive com a criação de fundos de investimento empresariais e iniciativas privadas.

Se chegarmos lá vai ser ótimo. Se tenho certeza disso? Redondamente, respondo que não. E por que digo isso, que é uma contradição daquilo que falei? Por falta de espaço, explicarei na próxima semana. Só adianto umas coisinhas: quando começamos a falar sobre mudança climática, vivíamos num mundo diferente. Era um mundo industrial, com economia baseada na manufatura e comercialização de bens mais ou menos duráveis. Carros andavam com gasolina ou diesel, navios navegavam com óleo, aviões voavam com gasolina de alta octanagem e jatos voavam com querosene de aviação. E o mundo mudou de lá para cá.

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E tudo acabará em cinzas https://tupyweb.com.br/2026/01/15/e-tudo-acabara-em-cinzas/ https://tupyweb.com.br/2026/01/15/e-tudo-acabara-em-cinzas/#respond Thu, 15 Jan 2026 14:28:06 +0000 https://tupyweb.com.br/?p=3000 Luiz Paulo Tupynambá – 31 de outubro de 2025.

Entendo tanto de segurança pública quanto entendo de mecânica quântica e sua influência sobre as marés em Alfa Centauri. Mesmo assim, sou um ser humano que habita esta região do universo por nós conhecida como Sistema Solar. Aqui na “terceira pedra antes do sol”, como a nomeava Jimi Hendrix. Mais precisamente na terra da “mãe gentil (nem tanto) dos filhos desse solo…”. Aqui onde moro, em dias como os desta semana, já não me sinto bem. Vendo cenas de corpos abandonados no meio do mato por agentes do estado, trazidos por homens e mulheres anônimos e sendo colocados lado a lado, seminus, no meio de uma praça à espera que parentes ou amigos os reconheçam e tragam um pouco de civilidade para aqueles corpos. Se eram criminosos ou não, se enfrentaram os policiais de arma na mão, não sei dizer. Mas corpos de vítimas de um enfrentamento mortal entre estado e cidadãos não podem ser abandonados assim. Nem nas guerras existe isso. Mais uma desumanidade que acontece nessa cidade maravilhosa, ora sob o comando de criminosos organizados, ora por ações destemperadas e sensacionalistas das autoridades policiais. Nessa hora a cidade mostra outra face, esta horrorosa e expõe sua podridão interna. O crime organizado torna a cidade perigosa para seus cidadãos e visitantes. E o estado, em vez de mostrar serenidade e competência para combatê-lo, copia-o em sua funesta eficiência.

Não é culpa dos cariocas verdadeiros, uma gente alegre, calorosa, divertida e amiga. São imagens que fazem parte de um repertório repetitivo. Há muito tempo assisto na TV a invasões policiais nos morros cariocas. Nas décadas de 70, 80, 90 do século XX. Depois, anos 2000, anos 2010 e agora, após 2020. Vi o mesmo filme em 2021 (Jacarezinho, 28 pessoas mortas, sendo 27 civis e 1 policial) e em 2022 (Vila Cruzeiro, 23 pessoas mortas). Nem mesmo a ADPF 635 do STF, conseguiu conter os excessos cometidos pelo estado fluminense contra as comunidades pobres da cidade. O corolário de toda essa insanidade moral e incompetência profissional, travestida de “eficiência policial” e “coragem do governador para combater o crime”, veio na forma do morticínio no Complexo do Alemão, com 121 mortos.

Lembro-me de ter visitado o Rio de Janeiro e até ter residido lá por algum tempo, entre 2008 e 2011. Na época estavam sendo implantadas as UPPs, que ajudaram a diminuir, e muito, a violência na cidade. Elas basearam-se no exemplo da pacificação da Comuna 13, em Medellín, na Colômbia. Cidade com uma topografia semelhante a do Rio de Janeiro, foi dominada pelo narcotráfico por décadas. Era a cidade do Pablo Escobar. De uma das comunidades mais violentas do mundo, a Comuna 13 se transformou em exemplo de retomada do Estado de áreas antes ocupadas pelo crime. Isso foi conseguido com a construção de acessos facilitados, incluindo escadas rolantes e um teleférico (que inspirou o teleférico instalado no Complexo do Alemão, que está quebrado desde 2019), saneamento básico, escolas-modelo, fomento ao empreendedorismo comunitário, serviços de saúde completos, e claro, bases da polícia comunitária em pontos estratégicos. Em 2007, uma comissão carioca, incluindo policiais graduados, ficou meses por lá, estudando essa experiência colombiana e que inspirou o projeto das UPPs. Mas nosso eleitoralismo acabou com as UPPs e tudo voltou a ser como dantes. Isto é, tropa subindo o morro e tacando o terror na comunidade. Sempre tem um dia de cinzas, para acabar com as coisas boas, não é mesmo?

Sim, vejo essa política de invasão, enfrentamento e abandono sendo aplicada no Brasil desde a década de 70. Se não deu certo até hoje, amigo, só um imbecil ou aproveitador da situação para acreditar que agora vai.

Esse jeito troglodita de enfrentar o crime organizado, que torra bilhões em viaturas, armas, munições e soldos, é meio de vida para muita gente que se aproveita disso política e economicamente. É uma instrumentalização política que se retro-alimenta com ações como esta no Rio de Janeiro. É o Necro Estado fingindo que sabe controlar o crime. E nós, cidadãos no meio do fogo cruzado, só desejamos o Estado de Direito. Nada mais.

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